Eles
tinham um sonho. Era novembro de 1970 e o maior grupo
pop da década estava prestes a dar o mais infeliz
dos pontapés iniciais. Agnetha, Björn,
Benny e Frida tinham, cada um, desfrutado de grande
sucesso nos anos 60 como astros na Suécia.
Colecionaram dezenas de hits em seu país, cantando
solo ou como membros de bandas.
Dois casais felizes, saudáveis, atraentes,
famosos e recém-casados que passavam a maior
parte do tempo juntos. Nada mais natural que a reunião
de seus talentos. Talvez dessa forma pudessem romper
as barreiras da restrita indústria da música
pop sueca.
Lá estavam eles, estreando um novo show no
Tradgar, um estiloso restaurante na cidade litorânea
de Gotemburgo. Os quatro se chamavam de Festfolket
– “Os Festeiros” – e o show
era um apanhado de esquetes teatrais, canções
cômicas e um pouco de seus próprios hits
solo. Era o começo de um novo capítulo
em suas vidas.
Foi um desastre. Na primeira noite, havia apenas meia
dúzia de pessoas no restaurante, embaraçadas.
No final daquela semana, o número dos integrantes
do então Festfolket foi maior que o da platéia
do bar, quando apenas três (!) pessoas assistiam
ao show. Björn Ulvaeus lembra: “Foi o pior
período da minha carreira. Das carreiras de
nós quatro. Terrível, terrível.”
Ainda assim, em poucos anos, o obscuro Festfolk se
tornaria uma das maiores bandas pop do mundo. Não
com esse nome, é claro, mas já batizado
de ABBA. Quando, em 1977, dois shows do grupo estavam
marcados no Royal Albert Hall, em Londres (com capacidade
para 5500 pessoas), a demanda por ingressos chegou
ao incrível número de três milhões
e quinhentos mil. O sonho tinha se tornado realidade.
Mas por que aqueles casais tão bem sucedidos,
perfeitos e harmônicos visual e musicalmente
resolveram sair de cena? Nunca houve um anúncio
oficial de dissolução do grupo. Nunca
se preocuparam em dar um motivo ou razão. Cada
um sabia de si.
Mas uma certeza, à princípio velada,
é hoje explicitamente unânime entre eles:
jamais se apresentarão juntos novamente. E
por que, ainda hoje – mais de 20 anos depois
de sua separação – os quatro ainda
recebem propostas bilionárias para fazer ao
menos mais um show?